Aluno que teve traumatismo craniano após briga recebe alta hospitalar: “queriam me matar”

Em entrevista ao Cotia e Cia, o adolescente, que ficou 6 dias internado, explicou como a confusão deu início dentro da escola e se estendeu do lado de fora

Foto enviada pelo adolescente ao Cotia e Cia

Um aluno da Escola Estadual Pedro Casemiro Leite, em Cotia, que teve traumatismo craniano após uma briga nos arredores da unidade, recebeu alta hospitalar depois de passar seis dias internado.

O adolescente, de 16 anos, que pediu para não ser identificado, levou pauladas e pontapés de pelo menos quatro jovens na última quinta-feira (20). A briga ocorreu fora da escola, mas o desentendimento entre os alunos iniciou-se dentro da unidade de ensino.

Em entrevista ao Cotia e Cia nesta quarta-feira (26), o aluno explicou que tudo começou com uma brincadeira. Ele e seus colegas estavam jogando água uns nos outros com um borrifador. No entanto, segundo ele, a água acabou respingando em outros estudantes que não participavam da brincadeira.

“Sem querer, acabou respingando água nos alunos desse grupinho. Um deles ficou bravo. Ele chamou o grupinho dele e rolou um bate-boca", explica. O fato ocorreu na quarta-feira passada, dia 19.

Apesar do desentendimento, ele disse que tudo ficou previamente resolvido no dia. Era o que imaginava. Mas, uma nova discussão entre o seu grupo e o grupo rival fez com que a situação se acalorasse ainda mais.

O adolescente narra que estava saindo da escola e um de seus amigos foi atingido por uma pedrada na cabeça. “Meu amigo foi perguntar quem tinha jogado a pedra e começou um novo bate-boca", disse.

“ELES QUERIAM ME MATAR”

Na quinta, o aluno do Pedro Casemiro, mesmo não estando envolvido diretamente na confusão do dia anterior, foi pego em uma emboscada do lado de fora da escola. Ele foi cercado por um grupo de adolescentes – alguns não eram alunos - e foi atingido por pauladas e pontapés na cabeça e no pescoço.

“Poderia ser pior. Se eu tivesse levado mais pancadas na cabeça, eu provavelmente nem estaria dando este relato agora, ou eu estaria ainda na UTI, ou pior: possivelmente, morto. Mas felizmente, um homem do lava-rápido acabou tirando a madeira da mão do agressor”
, relata.

Toda a agressão foi na cabeça, tanto que eu procurava machucados no corpo e não tinha nenhum, nem arranhão e nem mesmo uma vermelhidão. Única área atingida mesmo foi da cabeça. Eles queriam me matar. Estavam com essa intenção


“VOU PERMANECER NA ESCOLA”

O adolescente conta que, mesmo após as agressões violentas, vai continuar estudando na mesma escola. “Eu estou em paz, vou continuar indo para a escola, e ainda mais que eu não fui um causador ou o agressor, vou permanecer na mesma escola e vou tentar voltar o mais rápido possível”, explica.

“Meu foco é passar no Enem, ter o meu e sair da pobreza que estou atualmente. Eu não estou com medo e nem nada, principalmente que os covardes da história são aqueles que chamaram pessoas de fora para resolver o problema deles”, pontua.

ESCOLA TENTOU “ABAFAR O CASO”

Para o aluno, a escola tentou “abafar o caso” nos primeiros momentos. “Eles escolheram abafar e entraram em um consenso que não poderiam expulsar o aluno que deu a paulada e também seus companheiros”, disse.

“Na minha opinião, os casos de omissão são os que mais matam a escola. O principal foco da escola não é preservar o interior, e sim o exterior da escola, que é a opinião de pais, governo e mídia. A falta de funcionários é algo que influencia no descontrole da escola”,
complementa.

O QUE DIZ A SECRETARIA DE EDUCAÇÃO 

Procurada pela reportagem, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) disse que repudia toda e qualquer forma de agressão e incitação à violência, dentro ou fora das escolas.

Informou ainda que, desde que tomou conhecimento do ocorrido, do lado externo da unidade, "a gestão trabalha na identificação dos envolvidos para medidas cabíveis, incluindo transferência de unidade".

Segundo a Seduc, o aluno agredido "poderá receber acompanhamento do psicólogo da escola, caso autorizado pelos responsáveis".

"Além disso, a equipe do Programa de Melhoria da Convivência e Proteção Escolar (Conviva) prepara atividades para fortalecer a cultura de paz na escola. A direção da escola lamenta o ocorrido e permanece à disposição dos pais para esclarecimentos", informou a nota enviada na primeira ocasião em que a reportagem foi publicada, nessa segunda-feira (24).

O caso, de acordo com a pasta, será encaminhado ao Conselho Tutelar e à Vara da Infância e da Juventude.
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